Como mudar de carreira?

Mudar de carreira é hoje uma ideia integrada nas possibilidades de um profissional ao longo da vida activa. Estima-se que a maioria dos trabalhadores actualmente integrados no mercado de trabalho mudará de emprego 10 a 15 vezes ao longo do tempo, não havendo estatísticas claras em termos de carreira. Embora persistam focos de conservadorismo – e haja profissões onde não é possível ingressar sem muitos anos de formação – a mudança tornou-se apreciável e até desejável para o fortalecimento das competências do trabalhador, da sua mundividência e de uma maior solidez profissional. As capacidades e aprendizagens provindas de vários universos de trabalho podem ser muito produtivas para pessoas e empresas.

Sinais de alerta

O auto-conhecimento e a observação de si próprio são fundamentais nesta matéria. Mas observe os sinais:

  • sente-se desanimado no trabalho e nenhum projecto/tarefa o entusiasma;
  • custa-lhe levantar para trabalhar, muito além do cansaço e rotina habituais;
  • só pensar no seu local de trabalho o deixa desconfortável;
  • está frustrado num trabalho, mas a ideia de mudança (dentro do ramo) não o anima minimamente;
  • sente que não aprende nada de significativo há anos;
  • está sempre cansado, desanimado e sonolento;
  • já não tem um plano de futuro para si.

Nos primeiros anos de trabalho a mudança é claramente mais simples e constante, pela idade, elasticidade profissional e até pela estrutura de vida mais adaptável, com menos compromissos.

Mudar de área faz sentido se estiver alinhado com o que realmente quer da vida – imagina-se daqui a 5 anos a querer continuar na área com que sonha? Tenha cuidado com a impulsividade, dado que muitos profissionais tomam decisões apressadas baseadas em dificuldades pessoais, modas ou num salário melhor – uma mudança por motivos superficiais, ou que não têm a ver com o trabalho em si, é mais propícia a gerar frustração a curto prazo.

Se está desanimado deve sempre pensar duas vezes, seja qual for a situação, até porque a vida activa é muito longa. A percepção e a filosofia do conceito de trabalho mudou muito e, no século XXI, a profissão já é pensada como algo que nos realiza, para além do propósito financeiro.

Para pensar:

 

Auto-conhecimento: pense na sua personalidade, experiência, apetências e talentos, hábitos, estilo de vida, pontos fracos e fortes e compromissos familiares, se os tiver. Cada um deve adequar a decisão a si próprio, sem comparações. Pense bem na decisão, mas quando decidir saiba que, enquanto tentar, o seu compromisso deve ser firme.

Qualquer experiência anterior conta: mesmo que esteja em princípio de carreira, qualquer coisa que tenha feito conta. Desde trabalhos de escola e faculdade, trabalho voluntário, hobbies, concursos em que participou, trabalho associativo – pense em tudo o que fez e que o pode ter ajudado a ganhar competências para futuro. Mesmo que concorra a uma área oposta, identifique competências transversais a quase todas as áreas (trabalho em equipa, proactividade, etc.) e saliente-as.

Prepare-se para aprender: para mudar vai ter de fazer um esforço adicional em vários sentidos, porque há muitos conhecimentos novos para adquirir em pouco tempo. No entanto, isso também é, provavelmente, um dos estímulos adicionais de que precisa. Na maioria das vezes não precisa de fazer formação muito prolongada e de grande compromisso (tipo licenciatura, doutoramento, etc.), até porque a mudança exige alguma rapidez.

Vão questioná-lo: as pessoas do seu sector e mesmo do seu universo social e familiar vão estranhar e, por vezes, ser resistentes à ideia. Acabarão por se habituar à sua mudança, mas tem de estar convicto e resistir às vozes mais conservadoras. A sua decisão foi pensada e faz sentido para si – isso é o mais importante.

Vai duvidar da sua preparação: vai sentir-se muitas vezes impreparado, por mais que estude, que se documente e por mais que frequente o novo mercado de trabalho onde quer ingressar. É natural, mas um caminho de mil passos começa com o primeiro. Vai aprendendo progressivamente com a experiência. O que importa é o seu empenho em melhorar sempre e compromisso.

 Como agir?

 

Tenha a certeza: antes de dar o passo, certifique-se que o problema é o tipo de trabalho que faz e não o ambiente de trabalho, o chefe ou os colegas. A sua mudança deve ser consistente e não alimentada por um período de mais cansaço ou de problemas pessoais. Faça um grande esforço de racionalização e de auto-análise. Porém, quando tiver a certeza, siga em frente com coragem.

Defina o que quer: acertar numa área de trabalho implica, além das questões mais práticas e incontornáveis, pensar naquilo a que gostava mesmo de se dedicar e naquilo que são os seus valores na vida. A dedicação por escolha é um bom passaporte para a realização. Elencar as áreas de trabalho que lhe interessam, as suas paixões, talentos, interesses e oportunidades será uma boa forma de começar a separar o trigo do joio. Pensar se quer ter um negócio ou projecto próprio, ser freelancer ou trabalhar por conta de outros; se valoriza mais o salário, o equilíbrio entre trabalho/vida pessoal ou a se, por exemplo, quer trabalhar numa área que contribua decisivamente para o bem comum; em que tipo de espaço gostaria de trabalhar e com que estilo de chefia. Este tipo de pensamento ajuda-o a organizar ideias, e não quer dizer que não tenha noção realista do mercado de trabalho. Mas quando se tem uma estratégia é mais fácil acertar e saber para onde direccionar o esforço.

Pense nas finanças e numa fase de transição: mesmo com vontade e talento, é necessário avaliar a oferta e necessidades do mercado na área que deseja e, eventualmente, definir etapas intermediárias para implementar o novo rumo. Uma transição de carreira tem custos. É importante analisar se tem recursos próprios suficientes para passar pela fase de aprendizagem e definir se pode deixar o trabalho actual de imediato, ou se terá de ir de forma mais gradual, sem abandonar o emprego.

Faça formação: há uma enorme quantidade de informação disponível hoje e relativamente acessível. Equacione formação à distância, cursos pós-laborais, modulares, workshops, eventos do sector, conferências, etc.

Adquira experiência: a depender da idade e percurso, será importante poder apresentar aos recrutadores alguma experiência no sector a que se candidata. Faça trabalhos como freelancer ou então procure oportunidades de voluntariado relacionadas com a área – o objectivo aqui é aprender e criar currículo.

Aconselhe-se e crie uma nova rede de contactos: É importante construir uma nova rede de contactos. Fale com toda a gente que conhece e que trabalha (ou conhece alguém) na nova área. Faça novos contactos em redes profissionais, como o Linkedin, e junte-se a associações do sector e frequente os seus eventos. Muitas vezes, a nova área possui valores e cultura próprios, que levam algum tempo para ser aprendidos. Cursos e eventos são boas fontes de informação.

Seja resistente: a mudança pode não ser óbvia nem simples. Mas o esforço vale muitas vezes a pena. Acredite em si e na sua capacidade de adaptação, saia da rotina e seja resistente, sobretudo se a cada dia que passa sente mais a necessidade de mudar. Quando fazemos esforços para sair do que já conhecemos, e temos uma atitude de auto-superação, melhoramos as nossas capacidades e nível de felicidade e satisfação. Treinamos também capacidades que nem sabíamos que tínhamos e que só surgem nestas ocasiões. Pode até não conseguir logo da primeira vez e serem precisas várias mudanças de ramo. Mas só aprenderá por tentativa e erro. Quem mais procura, mais conhece, mais aprende e mais se desafia é também quem acaba por obter um maior grau de satisfação pessoal e profissional e, muitas vezes, atingir patamares que nunca esperou serem possíveis. Ser resistente e paciente é, regra geral, passaporte para a realização. Dê pequenos passos todos os dias e não desista!

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