O mundo segundo os portugueses

Inês Salvador Marques, Senior Financial Analyst, IBM, Bratislava

– O que a levou a sair do país?

A procura de novos desafios, de conhecer novos métodos de trabalho. Queria crescer pessoal e profissionalmente no sentido de desenvolver uma carreira internacional.

– Qual deve ser a base da estratégia de quem quer arranjar trabalho fora do país?

Aprender e dominar outra língua, preferencialmente o inglês. Pesquisar em sites ou empresas que anunciam trabalhos especialmente para estrangeiros. Alterar o CV de acordo com as características de cada país (ex: excepção para algumas áreas, regra geral, no Reino Unido e nos EUA não é boa prática incluir fotografia e idade nos CVs). Procurar no Linkedin portugueses que trabalham nas empresas escolhidas e tentar entrar em contacto para pedir sugestões. Pesquisar programas que patrocinem experiências internacionais tais como Inov Contacto ou Erasmus.

– Quais foram os maiores desafios que encontrou?

A fase inicial de uma mudança nem sempre é fácil. Há um período de ajustamento em que ainda não conhecemos ninguém e que pode ser desafiante especialmente se for numa cidade com poucos estrangeiros pois geralmente os locais já têm uma vida estabelecida e com pouca abertura para conhecer novas pessoas.

– A oportunidade que vive lá fora foi importante para a progressão profissional?

Pessoalmente considero das mais importantes. Quando só conhecemos uma realidade não é fácil tomar uma decisão diferente da que se conhece. Quando conhecemos várias, temos uma base muito mais sólida para tomar decisões acerca de quem somos e para onde queremos ir. Enfrentar desafios também ajuda a ganhar confiança e perceber que tudo tem uma solução.

– Vê a experiência internacional como essencial para o mercado de trabalho actual?

Mais do que nunca. O emprego para a vida presente na geração dos meus país já não existe. A tecnologia e a inovação são essenciais para uma empresa sobreviver hoje em dia. Com isto novos empregos e funções são criadas ao mesmo tempo que outras são destruídas. A flexibilidade e capacidade de aprendizagem e adaptação a novos processos e funções são as melhores características para se ter na minha opinião.

– Sente que é mais valorizado em Portugal por ter experiência internacional?

Sem dúvida. Mas ao mesmo tempo, apesar de a nova geração em Portugal ter uma mentalidade diferente e estar a mudar bastante, ainda não há flexibilidade laboral ou dinheiro suficiente para motivar os trabalhadores com estas características.

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