Como explicar tempo sem trabalho?

Se ficou muito tempo sem trabalhar, foi apanhado pela crise, nunca trabalhou na área que quer ou onde fez formação ou ainda tem pouca experiência profissional, saiba que há formas de contornar esta situação no currículo ou perante os recrutadores. A forma como coloca a situação e a sua atitude são determinantes e podem ajudá-lo a conseguir novo trabalho.  Esteja atento as estas dicas:

Falar do que fez e não quanto tempo fez: seja sempre sincero, mas não precisa de esmiuçar detalhadamente as datas de tudo o que fez, a menos que seja directamente questionado. Pode desviar o foco de datas e períodos de trabalho e conquistar o seu empregador por aquilo que fez e sabe fazer, e não pelo tempo em que desempenhou a tarefa.

Cursos e outros trabalhos: deve colocar no currículo os cursos, workshops, trabalho freelance, voluntariado  ou qualquer outra actividade que tenha contribuído para melhorar a sua qualificação profissional no período em que não trabalhou.

Sinceridade e responsabilidade: ao contrário do que muitos candidatos pensam, a honestidade é uma base fundamental de caracter e é muito apreciada pelas empresas. Se mentir ou não souber fazer algo, a empresa descobrirá rapidamente. Quando questionado de forma directa, deve esclarecer porque saiu de outros trabalhos – seja por dificuldades das empresas onde esteve ou até questões pessoais ou conflitos – desde que o faça com bom senso e sem denegrir a imagem de pessoas ou empresas. Não se esqueça que a maledicência é pouco edificante e nada acrescenta. Assuma também a sua parte de responsabilidade por alguma coisa menos boa. Pode ter apanhado uma crise no mercado de trabalho ou área específica, mas é importante ser humilde e fazer uma autocrítica. Se, por exemplo, demorou a reagir quando perdeu o trabalho ou recusou propostas porque não eram exactamente o que queria, pode assumi-lo, se lhe parecer adequado, em contexto de entrevista.

Motivação: acima de tudo mostre-se resistente, e nunca resignado à situação profissional em que está ou culpado. Mostrar-se culpado é diferente de assumir a responsabilidade – é que a culpa muitas vezes paralisa e não ajuda a evoluir. Acima de tudo, afirme a sua grande motivação para trabalhar, vontade de aprender coisas novas e contribuir para a empresa a que se candidata.

Intercâmbios, bolsas e viagens: é possível explicar o tempo de paragem caso se tenha afastado para fazer um intercâmbio, uma bolsa ou um curso específico fora do país. Ou até se resolveu fazer uma viagem grande, como experiência de vida e inspiração pessoal e profissional.  Este tipo de experiências são muitas vezes valorizadas num currículo. Essa informação, aliás, pode vir logo no início do currículo para que o recrutador entenda, de imediato, o motivo do seu afastamento do mercado.

Assuntos pessoais: se o afastamento foi por questões pessoais, como ter um filho, ou tratar de um problema de saúde próprio ou de família, essa informação deverá ser apresentada de forma informal e presencial, numa carta de motivação ou até no corpo da mensagem, caso o currículo seja enviado por mail.

Período sabático: o mercado de trabalho não pára de evoluir e os períodos sabáticos já não são só para quem faz carreiras académicas. Tirar um período sabático, planeado, não demasiado longo e estruturado, não tem necessariamente de prejudicar uma carreira – pode até valorizar o trabalhador e o indivíduo. Deve, no entanto, explicar ao recrutador os motivos pelos quais o fez. Parar para pensar, reestruturar-se, inspirar-se e fazer formação é válido, mas mostre que, apesar disso, tem um plano de carreira delineado.

Portfólios e outros documentos: não se esqueça de que existem outros documentos que podem ser apresentados junto do seu currículo, como portfólios e cartas de apresentação. Deve tirar o maior partido possível deles, de forma a mostrar trabalhos que produziu, que consegue e tem vocação/conhecimento/vontade de fazer ou até projectos pessoais e autorais fora do trabalho (ou hobbies), que demonstrem as suas habilidades, criatividade ou capacidade empreendedora. A criatividade é cada vez mais valorizada pelas empresas.

Mudança de profissão: neste mercado cada vez mais globalizado, já não faz sentido o recrutador olhar com desconfiança para alguém que quer mudar. Actualmente, muitas pessoas procuram novas profissões depois de muitos anos na mesma, seja por vontade ou necessidade. No entanto, deve esclarecer bem a sua motivação, o que está a fazer para se adaptar a uma nova área e não deixar de valorizar as experiências do passado e as competências adquiridas.

Argumentação bem treinada: o currículo é um documento que deve apenas mostrar os seus dados, sem grandes explicações. A sua situação será explicada durante as entrevistas e é bom estar preparado para detalhar situações, motivações e resultados, com segurança e bom controlo emocional. Tente treinar as respostas a possíveis perguntas, sozinho, e até com pessoas próximas. Se possível, filme-se e faça a sua autocrítica ou peça a alguém de confiança que o ajude. Ganhará certamente segurança para o processo de entrevistas e essa tranquilidade passará para o entrevistador.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *