Deve concorrer a um emprego sem todas as qualificações?

Esta é uma das dúvidas mais constantes para quem procura emprego e para quem tenta mudar de área profissional. Não é, por isso, demais pensar nesta problemática.

– Quer mesmo o trabalho e vê-se a fazê-lo? : este é o primeiro passo. Se não tem todas as qualificações, pense por que motivo gostaria mesmo de o fazer e pense se tem capacidade real para se adaptar e cumprir em pouco espaço de tempo. Imagina-se a fazê-lo? Sim? Nesse cenário imaginado a voz da sua consciência vai dar-lhe a resposta.

– O perfil da concorrência: como não conhece os restantes candidatos, não é possível saber se atingem ou não todos os requisitos – e este é um dos principais motivos para pensar que deve, de facto, candidatar-se. O ‘não’ é garantido e não tem nada a perder, excepto o seu tempo. Mas, como em tudo, uma dose de bom senso é precisa.

Transparência: sabendo que não tem a experiência ou alguma característica solicitada, reconheça isso e explique porque é que, ainda assim, pode ser o candidato ideal para a vaga. Isto evita com que o empregador pense que mandou a mesma candidatura genérica para todo o lado ou que não prestou a mínima atenção.

– Ignore requisitos preferenciais ou extra: quando pedem competências técnicas/informáticas elaboradas e a principal função na descrição da vaga é ‘atendimento ao público’… é lógico pensar que, de facto, consegue fazer a base do trabalho. Algum programa informático que não saiba, por exemplo, pode aprender em pouco tempo.

– Realce as competências transversais e os seus melhores feitos: já que não tem as valências necessárias, destaque as universais, aquelas que um recrutador precisa num trabalhador de uma forma geral – capacidade de aprendizagem, bom trabalho em equipa, resiliência, capacidade de adaptação, proactividade, etc. Pode destacar também alguns dos seus melhores feitos profissionais, mesmo que não sejam na área a que se candidata.

– Promova muito bem a área de qualificações que se aplica à vaga: se tem algum capital de experiência no sector, doure muito bem esse ponto e faça-o logo de início, via currículo e uma boa carta de apresentação.

– Pense em habilidades ‘transferíveis’: há coisas que aprendeu vindas de outras áreas profissionais, formação, voluntariado, experiência de vida, etc, que podem interessar muito ao seu actual recrutador. Tenha-as bem presentes e sirva-se delas.

– Consegue obter as qualificações que faltam? : esta via é muito importante. Se quem o contrata gostar do seu perfil e empatizar consigo, mas tiver a perfeita noção de que não domina uma área essencial para a empresa, cabe-lhe a si convencê-lo de que já está no caminho de agarrar uma formação na área e que está aberto e empenhado em obter outras.

– Não tenha medo de começar noutra posição: se gostarem de si e lhe propuserem uma outra vaga que não é tanto do seu interesse, pense duas vezes. Se gosta de facto do trabalho que se faz na empresa, depois de o conhecerem (e de fazer mais formação) é, em muitos casos, mais fácil transitar lá dentro.

– Desenvolva projectos próprios e mostre-os: para além da formação, se quer muito trabalhar numa determinada área, lance mãos à obra, sozinho ou com colegas e amigos, e desenvolva projectos que possa depois mostrar. Isso irá não só trazer-lhe satisfação pessoal, mas pode ser mais uma porta para alguém reparar no seu potencial e empenho.

– Trabalhar na era da globalização: só há pouco tempo é que a globalização está a dar frutos maduros e que, na prática, um cidadão pode ser trabalhador do mundo com muita facilidade. Esta é uma tendência que se agiganta, claramente, no futuro. Se Portugal sofria ainda com a sua posição periférica e com um mercado mais fechado/tradicional, os recrutadores nacionais têm agora de integrar uma mentalidade em que a área de estudo/experiência profissional pode não ser a área de trabalho (e muito menos um trabalho ‘para a vida’). A ideia é flexibilizar um mercado que, no centro da Europa, já tem estas características enraizadas.

3 thoughts on “Deve concorrer a um emprego sem todas as qualificações?

  1. Eu sou marmorista tenho 30 anos moro em São Paulo e tenho sonho de ir morar nos Estados unidos eu e minha família gostaria dessa oportunidade de emprego obg

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