Guia do Algarve – As melhores regiões para trabalhar

O Algarve conta-se no top das melhores zonas do país para trabalhar – e para passar férias e viver, dizemos nós. E nada como o Verão para falar desta região e seus atributos.

A grande fatia do trabalho na região é ligada à indústria do turismo e desta uma parte considerável é sazonal. No entanto, é uma das regiões que, com o incremento ainda maior do turismo na última década, tem crescido exponencialmente. Há oferta de trabalho que não exige alta qualificação, mas há também outros sectores a crescer.

A estrutura económica do Algarve assenta em 6 setores estratégicos associados aos recursos naturais da região: hotelaria, restauração e turismo, saúde, tecnologias da comunicação, actividades criativas, agroalimentares e marítimas.

Grande parte das empresas dedica-se ao comércio, destacando-se também o sector automóvel, o alojamento e a restauração (mais de 30% no seu conjunto), o que reforça o peso da actividade turística como motor de desenvolvimento.

Economia e Emprego

Não há que enganar: a falta de mão-de-obra no Algarve faz-se sentir em todos as áreas, diz a imprensa. Os anúncios de oferta de emprego multiplicam-se e a resposta dos candidatos é inferior à procura. De forma a atrair jovens estudantes ao mercado de trabalho sazonal, o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) lançou uma campanha de divulgação da oferta do “trabalho nas férias” junto das escolas, associações desportivas e juvenis, cujo objectivo é  dar a conhecer a oferta e a legislação para evitar a fuga aos impostos.

Constituída por dezasseis municípios, a região tem características e recursos distintos, com a estrutura urbana a estar centrada na dinâmica de duas áreas principais (Faro-Loulé-Olhão e Portimão-Lagos-Lagoa) que, canalizou o investimento no turismo e desenvolvimento na região. Hoje considera-se que o eixo de 144 quilómetros de orla marítima por explorar, denota potencialidades de crescimento da região entre Olhão e Vila Real de Santo António.

O Algarve é uma região de pequenas dimensões em relação às restantes regiões nacionais e às regiões europeias, com uma produção de riqueza (PIB) que representa cerca de 4,5% do total nacional. A estrutura empresarial do Algarve caracteriza-se essencialmente pela existência de grande proporção de microempresas, que representavam cerca de 90% do tecido empresarial da região.

Apesar do crescimento, os desafios do turismo algarvio passam por combater a sazonalidade, atrair novos mercados turísticos e não descaracterizar a região. A especialização da base económica regional fez com que o investimento se focasse apenas num sector, criando restrições noutras áreas da economia, algumas com vitalidade, como a agricultura e as pescas.

As conclusões mais recentes do sector produtivo algarvio dizem que há potencial de internacionalização para produtos como o mel, o medronho ou os enchidos, e também nos serviços ligados ao mar (observação de cetáceos), ou ao turismo de natureza (caminhadas ou birdwatching).

Já em 2018, foram oito as unidades hoteleiras do Algarve a receber os prémios europeus dos World Travel Awards, uma espécie de óscares do turismo.

Empresas

Para perceber o universo de hipóteses imediatas de trabalho, das empresas do concelho e até para enviar candidatura espontânea, pode consultar a base da NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve. Outros bons directórios de empresas estão disponíveis, tal como o Empresite. Neste último ranking temos empresas como a Aviludo, a Águas do Algarve, a Madre Fruta ou a Grudisul. É espreitar e perceber o que mais lhe convém, sem dispensar a consulta dos maiores sites de oferta de emprego nacionais. Vale a pena espreitar também o portal de emprego da Universidade do Algarve.

Habitação

A região divide-se em vários concelhos com naturezas distintas: Lagos, Albufeira ou Tavira podem apresentar custos de vida diferentes e por isso este guia não específica alguns valores. É, contudo, evidente que o custo de vida no Algarve aumenta no verão em quase todos os aspectos. Em comparação, por exemplo, com Lisboa, os gastos com casa, transporte e alimentação são claramente menores.

Arrendar Quarto

Para arrendar quarto os custos começam nos 150 euros.

Arrendar Casa

Se quiser arrendar uma casa pequena, de T0 a T2, a maioria das hipóteses está a partir dos 450 euros.

Comprar Casa

Embora esta opção seja habitualmente encarada mais tarde, os preços começam nos 45 mil euros uma habitação pequena/média.

Transportes

Apesar do aeroporto, autoestrada e dos caminhos de ferro (140km), a população algarvia queixa-se há muito da falta de transporte público eficaz. O interior da região é pior servido, mas centros como Faro estão longe de estar bem, nomeadamente por terem uma rede de autocarros muito ineficaz. A empresa EVA liga habitualmente as cidades algarvias, mas é insuficiente. Está prevista a partir do segundo semestre de 2018 uma nova rede pública. Segundo o responsável da Comunidade Intermunicipal do Algarve, o previsto é melhorar o transporte permanente, mas criar também um serviço flexível, para melhorar as deslocações do interior para o litoral. Está ainda previsto tornar o transporte flexível para turistas, sobretudo na época alta.

O lugar

Situado no extremo Oeste da Península Ibérica, a região tem cerca de cinco mil km2. A norte está limitado pelo Alentejo, a este o rio Guadiana separa-o de Espanha e a oeste e sul é banhado pelo Atlântico. Com toda a sua diversidade geológica, o Algarve pode ser dividido em três áreas: serra, barrocal e litoral. No litoral encontram-se as praias que atraem turistas de todo o mundo. No interior situa-se o barrocal, marcado pelas amendoeiras, figueiras, laranjeiras e pela riqueza da flora. O litoral é uma faixa estreita perto da costa onde estão os grandes centros urbanos e é também o local ideal para encontrar os melhores terrenos agrícolas, que são boa parte da actividade económica da região.

História

O Algarve foi a última região a ser conquistada aos Mouros e a fazer parte do Reino de Portugal no século XVIII, reinado de D. Afonso III, tendo ficado fixado depois, no Tratado de Alcanizes, em 1297. As influências da cultura mourisca são visíveis por toda a região.  Daí advém o nome do território, nascido do termo “al-Gharb al-Ândalus”, designação dada ao Algarve (e Baixo Alentejo), significando “Andaluz Ocidental”, já que esta era a parte ocidental da Andaluzia muçulmana, o mais importante centro da época da “Hispânia Islâmica”, destacado núcleo de cultura, ciência e tecnologia. A arquitectura típica do Algarve, alva, com terraços e chaminés típicas, amendoeiras, laranjeiras e outras árvores de fruto, assim como muitas palavras, são também heranças mouras.

Gastronomia

Nos produtos tradicionais destacam-se todos os pratos de peixe e marisco da costa algarvia e a pastelaria baseada sobretudo em ovos e frutos secos, como a amêndoa ou o figo, com os seus tão conhecidos D. Rodrigo, ou os pastéis de gema de ovos, de massa de amêndoa e a pastelaria feita com Alfarroba.

Aprender Português

Se é estrangeiro e precisa de aprender a língua, o Centro de Línguas da Universidade do Algarve dedica-se ao ensino de línguas estrangeiras, línguas para fins específicos e é também centro de exames internacionalmente reconhecidos. Disponibiliza os seus serviços ao público académico, ao público em geral e a empresas locais e regionais. Os cursos livres de línguas e outras atividades funcionam nas três unidades orgânicas que o Centro de Línguas agrega: Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo, (campus da Penha) Escola Superior de Educação e Comunicação (campus da Penha) e Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (campus de Gambelas). Há também a hipótese de recorrer a outras escolas de línguas privadas e a plataformas como a Superprof e a Speak. Tem muitos professores à escolha, com preços e currículos diferentes (ao vivo ou por web cam), e pode aprender, ensinar e partilhar.

Vida turística

Quem conhece bem a região turística nacional por excelência, procurada sobretudo clima ameno, águas tépidas e belas praias, sabe que o Algarve tem mais do que isso para oferecer. E é, curiosamente, um espelho do próprio país com muita diversidade geográfica e cultural para a sua pequena dimensão, porque há vários algarves dentro do mesmo pequeno território, com paisagens distintas. E aqui o gosto pessoal, a idade e até a bolsa contam.

De uma forma generalista podemos dizer que há um algarve mais central e mais turistizado de forma massiva, com muita oferta hoteleira, de restauração e vida nocturna, e muito cheio entre Junho e Setembro. O outro algarve é o que vai para cada um dos extremos: a partir de Lagos, passando por Sagres (o ponto mais a ocidente da Europa) e subindo pela costa até Odeceixe. O outro lado (com águas mais quentes), começa em Olhão, passa por Tavira e termina em Alcoutim. Nos limites da região, com piores acessibilidades, preços um pouco mais doces e praias com rochas escarpadas, algumas de acesso não evidente, é possível ainda encontrar paraísos com pouca gente, mesmo em época alta. Há grande assimetria entre a costa e o interior e serra, em densidade populacional, oferta, emprego e estilo. Na serra vive-se a natureza e mantém-se a tradição.

Da belíssima gastronomia, às melhores praias do mundo (segundo a imprensa de referência internacional), passando pela história, com monumentos como o forte de Sagres, pela Cultura, como a oferecida pelo Teatro das Figuras, em Faro, e ainda pelas mais variadas feiras e eventos, trilhos de exploração da natureza, inclusive a descoberta da fauna marinha – a região tem oferta e encanto capaz de agradar aos gostos mais díspares.

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