Já pensou fazer o currículo em vídeo?

O currículo em vídeo é uma das tendências inovadoras na área do emprego e em plena expansão. Está mais adaptado para as áreas da comunicação, das humanidades e das artes, embora seja o presente e futuro de muitas empresas a operar em sectores muito distintos destes, por ser prático e permitir-lhes poupar muito tempo a fazer a triagem de candidatos em universos muito concorridos.

É sabido que o currículo em vídeo se dirige mais às contratações a partir da geração millenial, mas qualquer pessoa o pode ter, nomeadamente se se candidata às áreas mais talhadas para este formato.

É um formato que tem tanto de flexível e inovador como de perigoso, e claramente não se adapta a todos. Deve seguir sempre as seguintes regras, caso opte por se abalançar neste registo:

– Boa captação: se não está à vontade com plataformas vídeo e com a sua edição é melhor pedir ajuda. Não há pior do que entregar um ficheiro com mau som, má captação, imperceptível, etc. O mais natural é que lhe passe muita gente à frente ou não voltem sequer a olhar para a sua candidatura.

– Imagem natural e confiante: Não é preciso ser modelo, nem perto disso, para ter uma imagem adequada. No entanto, se sabe que a imagem não é o seu forte ou que há alguma questão, ainda que temporária, com a qual não se sinta bem, talvez seja melhor deixar para daqui a uns meses a produção do vídeo. A imagem pode ser neutra, mas não deve prejudicá-lo. Esta ideia não tem a ver com qualquer preconceito social (como peso a menos ou a mais), mas sim com o facto ter de estar à vontade com a sua imagem física, porque isso passará para quem o vê. Tem de estar o mais à vontade possível para que a comunicação resulte.

– Roupa e imagem de fundo: deve adequar o vestuário ao perfil da empresa para que se candidata, quase como se estivesse numa entrevista presencial. Tenha também cuidado com o cenário. Atrás de si não deve ter nada que distraia a atenção de quem vê, sendo obrigatória uma excelente iluminação e uma parede neutra. Se tiver de ter ‘cenário’, como um escritório ou sala, que nunca esteja desarrumado ou seja despropositado.

– Guião: Deve minimamente pensar na organização do discurso, sem perder a espontaneidade. É importante chamar a atenção pelas suas qualidades de comunicação, mas tem de ir ‘pendurando’ no discurso a informação base para o recrutador achar que tem o perfil adequado e, se necessário, ler depois os pormenores no suporte escrito ou directamente na entrevista presencial. Treine muito e teste várias versões, dando-as à apreciação de pessoas de confiança.

– Comunicação adequada: é importante trabalhar a projecção vocal (é muito importante ter boa dicção e voz alta e pausada para que se perceba tudo); a linguagem que usa; a forma de movimentar-se perante a câmara (nem de menos, nem demais!) e o tipo de discurso/conteúdo que escolhe. Tudo deve ser pensado e estar alinhado com a vaga e empresa a que se candidata. Há empresas que têm uma cultura tão formal que o formato vídeo poderia mesmo prejudicá-lo. De igual modo, seria um desastre ler o CV em papel (ou o que quer que seja!) para a camara ou mesmo apenas dizê-lo em formato vídeo.

– Bons extras: o currículo nunca deve ser a transposição do formato papel para o vídeo. Deve ser um teaser que funcione como um cartão de identidade, ser criativo, ser curto (1 minuto ideal, 2 minutos máximo) e até pode ter humor (nalgumas áreas). Para além dos contactos e links para redes profissionais (e eventualmente CV escrito e portfolio) – que devem aparecer no final do vídeo – o candidato deve aproveitar para acrescentar animações, fotografia, histórias ou mostrar as suas habilidades em design, edição de vídeo, etc.

– Criatividade e empatia: este formato é criativo por excelência. Pode de facto aproveitar a imagem, a voz e a voz off, os gráficos e animações, o humor, as boas técnicas de storytelling e tudo o mais para despertar a curiosidade e se distinguir da multidão. O mínimo que um recrutador pode esperar é que não se limite ao que se pode ler no papel, mas, por exemplo, o oiça a contar, uma história interessante de um bom projecto para o qual trabalhou. No fundo, algo que venha ‘de dentro’, em que revele algo do que viveu e da sua forma de comunicar. Não se esqueça que a empatia que conseguir criar é mesmo importante para ser chamado. Mas se quem está do outro lado sentir autenticidade, será seguramente meio caminho andado.

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