O melhor Currículo

Fazer um bom currículo não é tarefa fácil, porque, mesmo com um objectivo definido, há sempre vários caminhos. No entanto, há regras quase universais e muitas dicas para melhorar o seu CV. O melhor currículo que pode fazer depende também da experiência profissional, da área a que concorre e sobretudo da sua capacidade de comunicar bem aquilo que é o seu potencial.

– Seja conciso, claro e concreto: é uma regra que vem da base do jornalismo e que se aplica aqui. Não se esqueça de que o recrutador tem muitos CVs para analisar e é muito pouco o seu ‘tempo de antena’ para ser escolhido para o ‘molho’ dos que passam à entrevista. Como tal, ainda que a sua área peça originalidade ou que a sua experiência profissional seja rica e interessante, pense que muitas vezes ‘menos é mais’. Seja objectivo e vá directo aos pontos que mais interessam para aquela vaga específica.

– Não coloque informação irrelevante: os CV’s são cheios de pormenores, até pequenas palavras desnecessárias. O espaço é precioso dado que, na maioria dos casos, não deve passar das 2 páginas. Não precisa de colocar a morada toda, ponha apenas a localidade. Também não precisa do número do documento de identificação, carta de condução, etc – são tudo informações que poderá dar posteriormente à empresa, se o contratarem. Coloque apenas nome e contacto móvel e e-mail. Até a palavra ‘telemóvel’ é irrelevante se lhe der mais espaço em branco – os espaços em branco são essenciais para o CV respirar e ser de leitura fácil e agradável. Também é escusado colocar tudo o que fez, nomeadamente os trabalhos que não são importantes para o emprego a que se propõe (a menos que se esteja a mudar de área e isso lhe deixe o CV vazio) ou ter informação adicional a mais (ser delegado de turma em 1995 ou ter formação num programa informático ultrapassado, não contribuirá para nada).

– Cuidado com erros e gralhas: pode não ser da área de letras, mas a sua língua materna tem de ser tratada com todo o cuidado – deve dominá-la, seja de que área for. A escrita também revela muito de si no modo como se expressa. Não são admissíveis gralhas, erros gramaticais, de construção e outros. Parece que não, mas corrigir um texto no qual os nossos olhos e cérebro estão ‘viciados’ leva até o editor mais experiente a cometer erros. Sempre que possível corrija em papel várias vezes e dê, também em papel, o CV a ler a uma ou duas pessoas da sua confiança, a quem reconheça competências linguísticas: 4 olhos e duas cabeças funcionam sempre melhor. Se for preciso, recorra a um serviço profissional de revisão de texto, que não será demasiado dispendioso para um documento com poucas páginas, em conjunto com uma carta de apresentação, por exemplo.

– Menos tarefas, mais resultados: quem está a tentar conhecê-lo não quer saber todas as 365 funções que tinha. O melhor é falar em objectivos concretos e estratégias que levou a cabo para obter determinados resultados. Depende do seu cargo, obviamente, mas se fez parte da equipa responsável por determinadas campanhas, operações, produtos, estratégias, conte precisamente como esteve encarregue de determinado processo e o que fez para o conseguir.

– Foque-se no que realizou e não em si: o ideal é que, em vez de fazer uma listagem de adjetivos em causa própria, sejam escolhidos dados, experiências e resultados que confirmem essas qualidades, deixando assim a avaliação dos seus talentos para o recrutador. Não é a si que cabe julgar, a menos que lhe peçam uma autoavaliação directa…mas isso será em contexto de entrevista.

– Criatividade q.b.: a criatividade – em áreas artísticas e de comunicação, mais essencial do que em serviços técnicos e administrativos – é um atributo a considerar para um bom CV. Mas ser original pode ser, apenas, ter um design apelativo e saber o que deve ser salientado. Segundo alguns recrutadores, se numa página conseguir ter os seus contactos, um pequeno resumo do que faz e da experiência profissional e académica, evidenciando as suas mais valias, é tudo o que precisa. Às vezes um currículo original, mas com confusão de cor, ou que pareça mal organizado, pode não ser o ideal.

– Diga a verdade: os recrutadores lidam com milhares de CVs e têm experiência que baste para detectar mentiras, pelo que, se não for logo no CV ou entrevista, vão perceber rapidamente se exagerou muito no que de facto sabe fazer. Não se esqueça que nas empresas, na prática, não há tempo para esperar – a sua boa adaptação tem de ser quase imediata. O empregador tem também o chamado período experimental que o defende. Se pensar bem, é claro que para si, tudo o que for perda de tempo por inadaptação e insucesso…é de evitar.

– Carta de apresentação e entrevista complementam: há muitos dados que não deve incluir. A motivação para uma determinada vaga, explicações muito detalhadas, o salário que pretende ou o salário que ganha/ganhou no seu trabalho mais recente são tudo questões que deve deixar para a carta de motivação e, no caso dos salários, para a entrevista.

– Fotografia: esta é uma das questões que gera mais controvérsia. Por cá, uma boa parte dos recrutadores diz preferir associar uma experiência profissional a um rosto, até porque os ajuda a fixar. No Reino Unido, por exemplo, por causa das questões de discriminação, os recrutadores não gostam de receber currículos com foto, porque já causou grande polémica naquele mercado. Em Portugal, e por enquanto, se se sentir confortável coloque a imagem, desde que seja uma fotografia profissional e que o favoreça. Esqueça fotos desfocadas, com o gato ao ombro, na praia ou no dia da conjuntivite.

– CV em vídeo: é uma hipótese cada vez mais bem-vinda pelas empresas, nomeadamente quando está em causa a contratação da geração millenial. A tecnologia oferece de facto a possibilidade de ser original, directo, apresentar a sua capacidade de comunicação e soft skills (atitude construtiva e proactiva, inteligência emocional, empatia, etc) tal como permite às empresas triar mais facilmente os candidatos em universos enormes. Há, no entanto, várias regras que deve perceber para avançar com este tipo de apresentação. Se não se sente à vontade e sabe que a comunicação não é o seu forte, remeta-se ao formato escrito.

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