O melhor plano para trabalhar lá fora

Planeia ter uma experiência de trabalho internacional ou já foi contratado? Para além levar a versatilidade e a tolerância bem arrumadas na cabeça e na mala, há coisas que não deve esquecer:

  • Conheça a cultura para onde se vai deslocar: uma experiência internacional enriquece-nos para sempre. E mesmo que o caminho profissional que vai experimentar possa não seja o seu futuro, uma coisa é unânime: o enriquecimento profissional (para progredir numa área ou experimentar novas) e o pessoal ficam para sempre. Poucas experiências podem ser tão gratificantes e significar um crescimento tão acentuado quanto trabalhar e viver numa cultura que não é a sua e estar fora da sua zona de conforto – seja em que idade for. Mesmo que não seja ideal, é sempre transformador e testa limites e capacidades que não seriam notadas de outra maneira. É natural haver choques culturais e coisas com que não nos identificamos. Por isso, convém estudar bem a cultura e os hábitos do país para onde vai e falar com locais ou contactos que lá viveram ou lá estão emigrados. Ainda assim, saiba que não estará preparado para tudo. E é evidente que quanto mais a cultura for diferente da sua e a mudança for de continente, por exemplo, mais notará o embate. Recomece de facto: pense que pode aprender muitas coisas novas e faça um esforço para se integrar. Se adoptar uma postura de crítica negativa constante, tudo lhe será mais difícil. Nomeadamente nos momentos em que houver falhas na burocracia e noutras questões. Lembre-se que os novos conhecimentos no novo país podem ser sensíveis às suas críticas. Não precisa de fingir que gosta de tudo, mas tolerância e moderação vão ajudá-lo. É o velho ditado, em Roma sê romano. A adaptação terá de ser sobretudo da sua parte.
  • Peça ajuda à nova empresa: se já tem contrato, o seu futuro chefe deverá ter abertura para o ajudar. É natural e, de alguma forma, faz parte das funções do responsável pela sua área de trabalho…Tente fazer-lhe algumas perguntas sobre a instalação, peça ajuda, dicas, contactos, etc.
  • Visto de trabalho: dentro dos países da UE não é preciso, mas há muitos países para onde é imprescindível e é difícil e demorado consegui-lo. É uma das coisas sobre as quais se deve informar primeiro, dado que pode demorar meses. A situação pode até implicar que tenha de ir com visto turístico em última instância, enquanto espera que o visto de trabalho fique pronto.
  • Planeie uma visita de estudo: não há nada como ver com os próprios olhos. Se tiver disponibilidade financeira para uma viagem extra, tente ir fazer a ‘prospecção do terreno’ por si. Se ainda não decidiu, pode ser uma ajuda na tomada de decisão. Se já o fez, faça o maior trabalho de antecipação que conseguir, nomeadamente nas questões práticas que precisa de resolver. Conseguirá também ter noção real do custo de vida e verá como se sente naquele lugar – e esse será provavelmente o impacto mais importante a ter em conta.
  • Língua mãe: escusado será dizer que, se não domina a língua mãe do país, é mesmo importante fazê-lo no curto/médio prazo. Veja como pode ter aulas. Se não pode tê-las presencialmente, tente via e-learning ou skipe, dado que há plataformas com preços para várias bolsas. Há situações, nomeadamente em questões legais e bancárias, em que pode precisar mesmo do apoio de alguém que domine a língua, sob pena de fazer erros graves e assinar coisas que não quer. É claro que o inglês, que a maioria domina, ajuda muito, mas há muitos países em que determinadas entidades só comunicam e escrevem na língua oficial.
  • Ajuste competências: Pode parecer algo óbvio, mas por vezes esse facto é negligenciado. Não se esqueça de dar uma vista de olhos no seu CV e fazer a actualização. Não se esqueça que é importante que lá esteja referido por exemplo que sabe falar e escrever na língua mãe do país para onde se desloca. Verifique também se o seu grau académico é reconhecido e com que equivalência no país de destino.
  • Mercado imobiliário e questões práticas: vai arrendar casa ou quarto? Poderá pensar em comprar casa se o contrato for longo? Perceba como é o mercado de habitação no país, que documentos lhe exigem, a média dos preços e as exigências de documentação legal para estrangeiros. Há países em que esta busca pode ser uma verdadeira dor de cabeça e ter um custo muito alto. Previna-se com antecedência. Há, inclusive, cidades desenvolvidas em que não há contratos de arrendamento a menos de um ano. Se o seu projecto é estar 6 a 9 meses…vai ter um problema.
  • Saiba as exigências da banca: abrir uma conta no exterior pode ser de facto complexo e exigir garantias e papéis que ainda não possui na altura que precisar de a abrir. Veja o que é preciso para o fazer, porque é difícil resolver a vida no país de acolhimento sem essa base. Há várias coisas que lhe serão interditas nalguns países se não tiver uma conta local.
  • Sistemas de saúde e medicação: perceba se a saúde pública é universal e de qualidade razoável ou se precisa mesmo de um seguro privado. O serviço nacional de saúde português é um exemplo no mundo e não há muitos com tanta abertura e nível. Mas não terá o mesmo acolhimento em todo o lado. Se tiver problemas de saúde específicos, então é ter cuidados redobrados. Não se esqueça de que se for sem nada preparado isso pode ser um factor de stress acrescido num período de adaptação que já por si é turbulento. Com alguma antecedência antes de ir, faça uma ronda pelos médicos que costuma consultar e, caso precise, peça-lhes um reforço de receitas e até o nome do princípio activo de medicamentos que pode ter de comprar no exterior. Faça os exames médicos necessários para ir tranquilo.
  • Crie uma nova rede profissional e mantenha a antiga: despeça-se formalmente via e-mail dos seus contactos profissionais e deixe os seus novos contactos. É uma forma simpática de saberem o que anda a fazer e nunca sabe as parcerias profissionais que podem daí advir. Pode não saber quando volta ao país de origem, mas é sempre positivo deixar uma porta aberta. Com os novos colegas e universo profissional a questão é ainda mais importante. Quando começar a fazer contactos e conhecer pessoas, dê a conhecer o seu propósito de trabalho no novo país e adicione-os nas redes profissionais inicialmente, caso as usem. Adicioná-los a outras redes sociais, só se se justificar.
  • Conheça bem a empresa e colegas: Quando temos ferramentas como o Linkedin e outras plataformas, podemos aproveitá-las. Se já tem contrato na calha, tente perceber quem é o seu futuro chefe e qual é o perfil dos seus colegas directos. É importante saber com quem vamos lidar logo de início, até porque as interacções iniciais podem ser decisivas para o novo período profissional correr como deseja. Para se integrar melhor procure também saber as competências e formações que a empresa valoriza mais nos perfis que contrata.

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