O mundo segundo os portugueses – Londres

Numa altura em que a experiência de trabalho/formação fora do país é um dos motores para o crescimento profissional e o incremento dos currículos, o Empregos pelo Mundo faz uma série de entrevistas a pessoas que estão ou estiveram a viver uma experiência internacional. Uma inspiração para quem equaciona sair do país e para quem tem dúvidas sobre as vantagens dessa decisão.

Duarte Figueiroa Rêgo, Client-Partner, Adglow, Londres

– O que o levou a sair de Portugal?

Licenciei-me em Gestão pelo ISEG. Durante o curso (e já depois) fiz alguns estágios e trabalhos temporários para bancos portugueses e rapidamente percebi que não era a carreira que queria seguir. Aventurei-me numa pós-graduação em marketing, novamente no ISEG, e nessa altura as oportunidades de emprego não eram muitas.
Assim que acabei a pós-graduação e o contracto temporário que tinha, decidi aproveitar a “boleia” da minha namorada que tinha ido estudar para Londres e mudei-me sem pensar muito. Já tinha feito um curso de verão em Londres uns anos antes e sabia que teria mais oportunidades de emprego na área de marketing.

– Qual deve ser a base da estratégia de quem quer arranjar trabalho fora do país?

Quando decidi mudar-me para Londres, comecei um mês antes a enviar currículos através de sites de emprego (monster.co.uk; totaljobs.com; indeed.co.uk; etc.) para trabalhos em marketing, focando-me em trabalhos para os quais a língua portuguesa seria uma mais valia visto não ter qualquer experiência em Inglaterra. Hoje em dia, o LinkedIn é uma grande plataforma para saber mais sobre as empresas, ver se existem vagas ou fazer uma pesquisa por área de trabalho, localização ou nível de experiência. Nos últimos anos, o LinkedIn tornou-se numa grande arma para recrutadores que procuram pessoas com determinadas características ou experiência para uma vaga específica para a qual estejam a recrutar.

– Quais foram os maiores desafios que encontrou?

Uma das maiores dificuldades foi arranjar o primeiro trabalho na área que queria. Apesar de ter um curso e uma pós-graduação, em Londres, as empresas davam mais valor a experiências de trabalho no Reino Unido e eu como não tinha nenhuma, tive dificuldade em conseguir entrevistas nas empresas que ambicionava.
Quando enviava currículos e tinha chamadas com empresas ou recrutadores, percebi que havia muitos scams. São pessoas que se faziam passar por empresas e pediam que me inscrevesse em cursos ou fizesse determinados exames, os quais teria que pagar do meu bolso, para conseguir um determinado emprego.

– A oportunidade que vive lá fora foi importante para a progressão profissional?

Londres é uma das grandes capitais europeias. Isso significa que todas as grandes empresas estão presentes nesta cidade, fazendo do Reino Unido um dos maiores mercados logo a seguir aos Estados Unidos.
Na minha área (marketing), tenho o prazer de trabalhar com grandes marcas, muitas delas mundiais, com investimentos em publicidade e marketing impensáveis em Portugal (pelo menos para já). Qualquer que seja a área – banca, hotelaria, marketing, design, etc. – a oferta e procura de emprego é intensa. Isto significa que o mercado se mexe rapidamente. É um desafio para as empresas reterem o talento, mas também um desafio para os empregados pois as expectativas são elevadas. Existem bastantes oportunidades, embora o mais importante seja conseguir a primeira experiência. Uma grande diferença entre o Reino Unido e Portugal é que no Reino Unido a experiência profissional é mais valorizada do que os estudos na candidatura. Uma coisa muito importante no meu desenvolvimento foi ter conhecido pessoas de vários países, várias culturas e com diferentes opiniões, que me fez crescer enquanto ser humano e profissional.

– Vê a experiência internacional como essencial para o mercado de trabalho actual?

Eu vejo com óptimos olhos uma experiência internacional e acho que caminhamos para que isso seja essencial. Com a internet, novas Startups a aparecer todos os dias e numa altura onde transitamos de um trabalho das 9 às 6 para horários flexíveis, trabalhar remotamente é cada vez mais fácil. Quanto mais expostos estivermos a diferentes desafios, realidades e culturas, mais isso irá ajudar na nossa evolução pessoal e profissional.

– Sente que é mais valorizado em Portugal por ter experiência no exterior?

Não se aplica no meu caso visto ainda estar em Londres e ainda não explorei essa opção, mas essa é a minha percepção. Sinto que experiências internacionais são valorizadas e provavelmente podem passar a ser um requisito num futuro próximo.

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