Sabe fazer uma carta de apresentação?

Em muitas situações vai-lhe ser pedida uma carta de apresentação para juntar ao currículo. Seja como for, e sendo ou não específica para uma determinada vaga, devemos ter sempre uma carta de apresentação para juntar à documentação profissional, onde se contam o currículo, os certificados de habilitações, de formação, conferências, cursos e workshops diversos, para além de portfólios, com exemplos do tipo de trabalho que fizemos ou podemos fazer.

Qual a estratégia?

A carta não deve limitar-se a repetir o que está no currículo. Deve conter essencialmente uma referência breve a qual a habilitação ou experiência que o leva a candidatar-se àquela posição, mas, acima de tudo, deve reforçar a sua motivação para fazer aquela candidatura e referir algumas experiências específicas (que não estão desenvolvidas no CV) e que fazem de si um candidato indicado para o lugar. Pode referir bons resultados obtidos em funções semelhantes, ter trabalhado com marcas/empresas de referência, hábitos de trabalho, características pessoais importantes para a função – hoje estas qualidades, como a resiliência ou a capacidade de trabalhar bem em equipa, as chamadas ‘soft skills’, são cada vez mais importantes para as empresas.

A carta não deve ser demasiado longa – escreva apenas alguns parágrafos que consigam resumir a sua formação e história profissional, e a sua apetência para o que vai fazer. Também não deve ser absolutamente telegráfica, uma vez que pode servir para aguçar a vontade do recrutador para ler o seu currículo com mais atenção e pode ser o caminho para ser seleccionado para entrevista.

A não esquecer:

 

Escrita: O bom português é essencial, tal como o grafismo impecável. Não são admissíveis erros e gralhas ortográficas…por isso reveja muitas vezes, e em papel, a última versão da sua carta. Peça a pessoas da sua confiança, excelentes em português, para a rever também. Caso não conheça ninguém, equacione pedir uma revisão profissional. Actualmente há quem faça esses trabalhos, sem altos custos, e é um investimento que está a fazer no seu futuro profissional (veja sites como o Zaask e semelhantes, em que os profissionais também são avaliados). Se tem muitas dúvidas, pode também seguir um dos muitos modelos que existem na internet. Não se esqueça de deixar sempre a sua disponibilidade para entrevista e os seus contactos actualizados.

Concentre-se na empresa: conhece a velha máxima que diz “vê o que podes fazer pelo teu país, e não o que o teu país pode fazer por ti”?  A frase serve para não se esquecer de que o interesse maior da empresa é saber o que é que o colaborador pode fazer para lhe acrescentar valor… e não o contrário. Não se perca demasiado em questões pessoais. Explique claramente o porquê da sua candidatura e as suas mais valias em termos de formação, experiência e características pessoais para a vaga. Se puder, demonstre que conhece bem a empresa e as suas necessidades. Se tiver vantagens competitivas, como ser elegível para medidas de apoio ao emprego (que dão benefícios fiscais aos empregadores), ou dominar alguma ferramenta ou língua que seja essencial para empresa, não se esqueça de o referir.

Curto, claro, simples e confiante: A sua carta não deve ter mais de 500 palavras, sensivelmente 3 a 4 parágrafos. A linguagem deve ser acessível, directa e pode ter alguma originalidade, sobretudo em áreas mais criativas (publicidade, design, comunicação, etc). Como já referimos, se tiver alguma competência de excelência (ser bilingue, ter uma formação de topo num determinado programa informático, etc.,) não tenha receio de afirmar essa mesma excelência. Deve, portanto, demonstrar confiança na medida certa. A arrogância de dizer que “é o melhor” ou que “não há ninguém melhor” para o lugar, não lhe ficará bem.

Estrutura: A carta deve ser sempre dirigida a uma pessoa e não à empresa. No mínimo, dirija-a ao departamento de recursos humanos, mas tente saber o nome do director do departamento ou pessoa responsável. De uma maneira geral, num parágrafo inicial deve referir o motivo que o leva a procurar a empresa e a querer candidatar-se ao posto de trabalho; de seguida relacione a sua formação e experiência com a actividade da empresa e demonstre como poderá ser útil para a função; depois disponibilize-se para uma entrevista e despeça-se cordialmente. Actualmente a carta vai, por vezes, no corpo do próprio e-mail, como forma de apresentação. Pode optar por esta via, mas tenha em conta a formalidade da empresa ou o tipo de candidatura. Algumas empresas, e mesmo candidaturas ao Estado, pedem mesmo um ficheiro à parte.

Faça escolhas e contacte: seleccione as empresas para as quais gostava mais de trabalhar e, para essas, planeie uma abordagem mais personalizada e mesmo candidaturas espontâneas. Entregue a carta e o CV em mãos e faça um bom seguimento das mesmas. Não deixe de mandar e-mails e ligar posteriormente, para perceber resultados. Aliás, deve particularizar o mais possível as cartas de apresentação, tendo, no entanto, uma generalista de reserva para candidaturas menos prioritárias para si, ou para aquelas que só viu em cima do prazo.

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