Quase Amor, por Rita Damásio

Nesta noite quente, fico a pensar naquelas outras que juntos passámos horas a conversar junto à janela do meu quarto. Não existia sono, aliás pouco mais existia para além de nós dois e aquela janela.

Enquanto o mundo dormia nós falávamos horas a fio. Verdades, certezas, dúvidas, sonhos e enigmas. Tudo o que nos vinha ao pensamento. O Tempo ficava sempre suspenso e o relógio avançava à nossa medida. Não existiam horários nem expectativas a cumprir.

Pergunto-me por vezes se o resultado desse Tempo podia ter sido diferente apesar dos factos serem factos e de nada servir questioná-los. Sei bem que os “ses” apenas fazem sentido quando, de facto, têm sentido.

Podia ter sido uma bonita história de amor? Podia, mas não foi. Não era para ser. Nada pode ser aquilo que quase é.

Por uns Tempos escondemo-nos numa história que podia ter sido a nossa mas tu perdeste-te e eu deparei-me com um muro enorme.

Encontrei-te e levei-te até ao muro para o encarares. Não escolhi que te tivesses perdido nem queria deixar-te sem saída. Tinhas de tomar uma atitude e partir pelo teu próprio pé.

Esse foi o Tempo em que fiquei a conhecer as limitações da felicidade.

Hoje, sei que quando livres desses “ses” a felicidade em si não tem um limite. Nem dois, nem três… É só deixar aflorar aquilo que é, sempre que existe a possibilidade de ser.

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Um mundo de emoções, sensações e interpretações. Todas as Terças-feiras à noite uma nova crónica por Rita Damásio. Encontre-as aqui

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