A vida no Grande Ecrã, crónica por Rita Damásio

Quando sofres o primeiro desgosto de amor toda a gente te avisa que a vida amorosa não é como nos contos de fadas. Ficas avisado quanto às histórias de amor, porém, ninguém te alerta que isso também se aplica ao resto dos teus sonhos, nomeadamente às tuas ambições profissionais!

A verdade é que os filmes da Walt Disney Company estão para as relações amorosas como os restantes filmes de Hollywood estão para a vida profissional.

Nos filmes da Walt Disney as personagens bondosas, virgens e sacrificadas (como a Cinderela) têm um final feliz junto do seu eterno par romântico. Em oposição, na “sociedade” a mulher tem que dar boas chapadas na concorrência, ser determinada e satisfazer em pleno os desejos carnais do homem. Se assim não for, não há príncipe que a despose nem o esperado “viveram felizes para sempre”.

Por sua vez, os argumentos dos filmes de Hollywood apresentam um protagonista inteligente mas de uma origem humilde que no final da trama consegue concretizar os seus extraordinários e quase impossíveis sonhos. Na vida real, para isso ser possível, o protagonista é obrigado a ser altamente competitivo, implacável e maquiavélico para conseguir alcançar o que deseja no mundo do trabalho.

As gerações deste século cresceram a ver filmes onde tudo é possível. Cometem-se as mais atrevidas loucuras e ainda se recolhem os melhores frutos, mas parece que na sociedade que estamos a criar não são necessariamente os “melhores” que chegam ao topo. Pois o topo é… estar a cima (ou será em cima?) dos outros. Isto quer seja nas relações amorosas ou nas laborais! Pois, é isso, os filmes não mostram a verdadeira realidade. Mais uma fuga.

Que tal esquecermos o guião e os papéis que nos foram atribuídos? Podemos sentarmo-nos numa sala de cinema e maravilharmo-nos com um mundo de ilusões que passa em frente dos nossos olhos, mas também podemos sair de lá e rescrever o argumento das nossas vidas.

Podemos dar à vida uma outra oportunidade. A oportunidade que está em nós. Temos tudo para “realizar” uma vida parecida à dos grandes ecrãs.

Luzes.

Câmara.

Acção!

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