Coreia do Norte: o pouco que se sabe sobre um dos países mais fechados do mundo

David Guttenfelder, jornalista do New York Times, traz-nos as impressões sobre um dos países mais fechados do mundo. Contudo, quando se ouve falar da Coreia do Norte, dividido entre norte e sul no pós-Segunda Guerra Mundial pelo famoso paralelo 38, é pelos piores motivos, muitos deles chegam mesmo a ser insólitos, como o facto do líder do regime assinar um decreto que proíbe pais de darem aos filhos o seu nome. Quem já se chame Kim Jong-un também teve de mudar de nome.

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Evidentemente, não é possível compreender o contexto social e cultural de um determinado país sem que nos debrucemos também um pouco sobre a sua história e o caminho que percorreu até chegar à atualidade. Essa necessidade é especialmente flagrante no caso da Coreia (ou, devemos dizer, Coreias?), uma vez que esta nem sempre foi constituída por duas fações de realidades e convicções tão distintas, sendo até lícito afirmar que, até 1945, formavam desde há milhares de anos uma nação homogénea. Afinal, o que esteve na origem e como se desenrolou o processo de divisão da Coreia? E – mais importante – quem foi o responsável?

O famoso paralelo 38, enquanto marcador da fronteira entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, foi uma invenção de Dean Rusk e Charles Bonesteel, que, na aproximação do final da Segunda Guerra Mundial, pertenciam à comissão de coordenação das forças terrestres norte-americanas, que tinham interesses em manter os países separados.

Em 1950, dá-se a Guerra da Coreia, que teve como pano de fundo o período da Guerra Fria. Tendo em conta os interesses dos norte-americanos, o conflito armado foi, mais do que uma guerra entre o norte e o sul, um medir de forças entre as duas superpotências, EUA e URSS. Findada a guerra civil, em 1953, as duas Coreias ficaram oficialmente separadas, sendo que o norte ficou sob influência soviética (comunismo) e o sul sob domínio norte-americano (capitalismo e democracia).

Assim, de forma resumida, percebe-se o porquê de na Coreia do Norte, ainda hoje apoiada pela Rússia, reinar uma ditadura comunista.

Um Segredo de Estado

Quando pensamos na Coreia do Norte, o que nos vem imediatamente à cabeça são as armas nucleares, as ações e decretos de Kim Jong-un, desfiles, trabalhos forçados, entre outros aspetos negativos.

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Apesar disso, muitos estrangeiros que visitam o país deparam-se com uma realidade um pouco diferente. O próprio Estado faz das visitas de muitos jornalistas uma verdadeira encenação, tentando, a todo o custo, esconder os segredos terríveis por detrás das imagens ternurentas.

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Claro que, os jornalistas, por exemplo, na maioria das vezes são apanhados nas mentiras e num país como a Coreia do Norte, oprimido pelo ditadura e falta de liberdade de expressão, torna-se ainda mais complicado chegar à verdade. Mas isso, não acontece só na Coreia do Norte. Os próprios Estados mais democráticos omitem “verdades inconvenientes”.

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Ao jornalista, enquanto “watchdog” e garante do quarto poder, deve tentar a todo o custo não persistir no erro, nem que para isso tenham de escapar dos canais oficiais. Só assim a verdade, nem que seja parcial, poderá emergir.

Por isso, David Guttenfelder afirma que a vista da janela é muito importante para os jornalistas estrangeiros com acesso ao norte, uma vez que oferece um contraponto às encenações oficiais.

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Segundo o repórter, quando apenas a exceção é divulgada, os detalhes do quotidiano tornam-se mais intrigantes. As histórias de 25 milhões de vidas, omitidas pela política, são um verdadeiro mistério que falta revela. Veja aqui uma seleção de imagens do jornalistas nas suas visitas ao país, de forma a perceber o pouco que se sabe sobre a vida daquela população.

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