Destino, crónica por Rita Damásio

Passei a noite em sobressalto à espera da hora do primeiro barco da manhã. Assim que o sol nasceu levantei-me. Quando cheguei a terra peguei no carro e conduzi pela estrada fora. Fiz o caminho em metade do tempo.

Queria chegar antes do teu dia começar para saber onde te podia encontrar; não estavas lá. Não sabia onde tinhas ido quanto tempo ias demorar ou de que forma me ias receber, no entanto sabia que em algum momento do dia ias regressar àquele lugar. Decidi não voltar para trás.

Para esperar por ti procurei onde me sentar. Estava calor. Encontrei um jardim com um banco de madeira por baixo de uma árvore.

Não tinha nada com que me ocupar mas também não me conseguia focar em mais nada a não ser na ideia de te ver. Era difícil controlar os pensamentos principalmente os maus, que teimavam em invadir-me. O tempo de espera desencoraja-nos, enfraquece-nos e esmorece-nos. Tinha vontade de desistir.

Enquanto estava sentada, inquieta e desligada do resto do mundo, uma coisa chamou à minha atenção. Ao lado do banco estava uma zona de terra enlameada e meio enterrado estava um pedaço de cartão com cor. Cativou-me… Debruçei-me para o observar.

Era uma carta de Tarot. Nela uma imagem e junto a palavra PERSEVERANÇA.
Mais a baixo um conselho detalhado sobre o que é ser perseverante.
ALGUÉM QUE NÃO DESISTE COM FACILIDADE.

Encontrei-te passado umas horas.

Nesse dia acrescentei uma palavra nova ao meu vocabulário.

A vida dá-nos os sinais.
Nós temos que encontrá-los e dar as cartas a nosso favor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *