Ser português tem muito que se lhe diga

Ser português representa mais do que uma nacionalidade. É uma identidade, uma cultura, um modo de estar. Nos últimos tempos ser português não se tem revelado tarefa fácil, mas a verdade é que somos osso duro de roer.

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O ser português, como acontece em qualquer outra nacionalidade, sofreu e continua a sofrer várias transformações. Hoje esse fenómeno é muito mais evidente devido à globalização. Há séculos atrás eramos um povo rico, poderoso e conquistador de meio mundo. Hoje resta-nos a troika e somos pobres. Mas o pior é que não admitimos que somos pobres, apesar de a miséria estar cada vez mais enraizada. Somos orgulhosos e não gostamos de admitir que somos pior que este país ou que aquele.

Contudo, é preciso haver mudança. “É preciso reinventar Portugal”. Durante décadas vivemos oprimidos por uma ditadura e quando nos vimos livres dela não estávamos preparados para abraçar a democracia. Esta última tem perdido o seu brilho e, se Portugal e a Europa estão em crise, o regime democrático também já viu melhores dias.

Já não somos capazes de mudar. Já não somos um povo que se sacrifica pelo bem da nação. De paraíso temos muito pouco, mas ser português não é só inferno. Mesmo com a globalização e a influência de outras culturas continuamos a ter uma maneira de ser e estar muito peculiar e genuína.

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Lá fora somos conhecidos como um povo trabalhador, que se adapta facilmente que faz sacrifícios, mas em Portugal, pelo nosso país não somos capazes de o fazer. Se calhar é pelo facto de estarmos demasiado desiludidos, fartos de promessas que não passam disso mesmo. Contudo, continuamos a acreditar: o nosso orgulho e persistência são difíceis de abalar.

Além disso, a nossa hospitalidade parece ser única no mundo. O fado, a gastronomia também são aspetos característicos do nosso povo. Como afirma Miguel Esteves Cardoso: “O ser português é aguentar a frustração de não sermos os melhores, não ter medo de nos afirmarmos, sermos desajeitados e desinibidos. Ser português é ser-se grande mesmo não o sendo”.

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Alguns aspetos típicos do português:

  1. Ir ao café e pedir “um café/uma bica e um pastel de nata”;
  2. Quando vai à mercearia não pode esquecer de comprar a cebola, o tomate, o alho e o azeite: ingredientes essenciais na gastronomia portuguesa;
  3. É obrigatório saber cozinhar o bacalhau de diferentes maneiras;
  4. Saudar as pessoas com dois beijos, excetuando se forem dois homens (normalmente só acontece entre avô, pai, filho);
  5. Uma boa conversa durante uma refeição é sempre bem-vinda entre os portugueses (política, economia, tráfego rodoviário, gestão de futebol, a lista é interminável);
  6. Ter uma forte relação com o mar;
  7. Petiscar é também um hábito lusitano, como tremoços, caracóis ou moelas, acompanhadas de um fino ou imperial;
  8. Comer canja de galinha para curar qualquer doença.

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